Mapa da Virada Cultural 2012
Exposição “A(e)rea Paulista”, de Carla Caffé
Prêmio Funarte de Arte Contemporânea 2011
Complexo Cultural Funarte São Paulo – Galeria Flávio de Carvalho
Alameda Nothmann 1058. Campos Elíseos. Tel: (11) 3662-5177
Abertura
21 de janeiro de 2012 | Sábado, às 16h
Visitação
21 de janeiro a 25 de março | De segunda a domingo, das 14h às 22h
Tarde de desenhos com Carla Caffé
25 de janeiro de 2012 | Quarta, das 14h às 18h
Encontro no Complexo Cultural Funarte São Paulo – Galeria Flávio de Carvalho. De lá, grupo segue para o vão do MASP.
Levar caderno sem pauta, estojo com materiais de desenho e, se possível, banquinho móvel.
Sugestão: caneta bico de pena e caneta PITT.
Veja algumas fotos da exposição no flickr:
http://www.flickr.com/photos/carlacaffe
Em “Aerea Paulista”, Carla vai de uma ponta à outra da avenida Paulista, a trilha aberta ao longo da grande linha vertebral da cidade, de onde, à esquerda e à direita, descaem as encostas até se acomodarem em planaltos, compondo os vales por onde correm os dois principais rios que a atravessam. Da Bernadino de Campos à Praça dos Arcos, ela percorre anotando, registrando, examinando, esboçando, bosquejando, recortando, decupando, ou seja, empregando grande parte dos verbos que compreendem DESENHAR. Vai representando excertos de construções notáveis por suas peculiaridades, arquiteturas e situações que, aqueles que vivem em São Paulo ou simplesmente vivenciaram essa avenida em algum tempo, percebem-lhes amadas, embora até esse momento a maioria não soubesse disso. A prova do afeto é que eles a reconhecerão de imediato e, como acontece, se reconhecerão nesse reconhecimento.
Mas, atenção, esses desenhos não interessam apenas aos paulistanos. Fosse isto não importariam a ninguém. Interessam porque, realizados a partir da avenida Paulista, uma sucessão de decalques obtidos por fricções do olhar e dos dedos empunhando lápis e pinceis, são muitas outras coisas. A começar pela constatação de que nossa memória expande-se e se materializa nos espaços que habitamos ou por onde frequentemente passamos. E como poderia ser diferente uma vez que dificilmente nos vemos ou, por outra, vemo-nos pelo lado de dentro? Vai daí que nos percebemos em relação ao que nos rodeia. Somos, pois, constituídos pela idiossincrasia de cheiros e sons provenientes das ruas, do aroma insuportavelmente doce do vendedor de churros ao cheiro dos outros, quando estamos obrigados a promiscuidade das lotações; somos as buzinas, as sirenes, os alarmes, e também as conversas incessantes, em grupo ou solitárias, o prenúncio da chegada do próximo trem do metrô: o som surdo, que primeiramente se escuta pelas vísceras. Somos o extrovertido dos anúncios luminosos, cartazes, o alácre digladiamento das revistas expostas nas bancas de jornal, desejando que as olhemos de perto, em contraponto com a regularidade imponente das fachadas e dos desenhos das calçadas. Estamos na retícula das caixilharias, nos revestimentos especulares, como os que levam vidro, nos nervos expostos das estruturas que suportam as coberturas, no cume dos prédios, pretendendo inventar formas de diálogo com o céu ao mesmo tempo que nos persuade a olhar para cima.
Agnaldo Farias




